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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Dança e Educação Física - O Conflito - Parte 2

Dando continuidade aos nossos estudos sobre a Dança e a Educação Física esta é a segunda postagem da Série: Dança e Educação Física - O Conflito. Faz-se importante tratar desse tema, porque muitas vezes se confundem as profissões que tem meios de atuar diferentes, mas que em alguns aspectos se completam. Então qual é a diferença entre uma coisa e outra? Juntos vamos tentar descobrir.

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Esse artigo foi escrito por duas conceituadas pessoas no meio acadêmico:

Similaridades e diferenças entre as duas áreas

Uma das similaridades existentes entre elas consiste na utilização e movimentação do corpo como foco principal, ou seja, ambas são atividades corporais.

Esta questão é apontada por diferentes autores. Para BRAUN e SARAIVA (2000), a dança e a Educação Física "têm em comum o movimento corporal humano" (p. 557); para SOUZA NETO (1992) é "o homem no contexto das atividades corporais" (p. 4) que aproxima as duas áreas e para GASPARI (2005) tanto uma quanto a outra área "utilizam a expressão corporal como linguagem" (p. 11).

Segundo PELLEGRINI (1988), o elemento comum entre a dança e a educação física "é o homem em atividade física" (p. 251) e na visão de PACHECO (1999) ambas as áreas apresentam características comuns como o (estudo) âmbito motor, além de aspectos artísticos e culturais.

Além disso, algumas disciplinas são encontradas em ambos os cursos como biomecânica, fisiologia do exercício, etc (PELLEGRINI, 1988) e ambas as áreas possuem objetivos comuns como "desenvolvimento da coordenação motora, do conhecimento do próprio corpo, do sentido rítmico, da flexibilidade e da força muscular" (MACARA, 1987, p. 72).

Quando se fala especificamente das similaridades entre o esporte e a dança, pode-se mencionar que além de ambos utilizarem-se da atividade física, ambos são "fenômenos culturais que acompanham a evolução do homem", e "já existiam antes do aparecimento da educação física e independem dela para existir" (PELLEGRINI, 1988, p. 252).

Tanto um quanto o outro têm como finalidade o alto desempenho de seus praticantes (PELLEGRINI, 1988; SOUZA NETO, 1992). Mas, enquanto no esporte se prioriza, geralmente, a disputa e a competição, a dança caracteriza-se mais enquanto "arte como expressão cultural" (PELLEGRINI, 1988, p. 252) e como a "arte de interpretar um dado ritmo musical através da expressão corporal" (SOUZA NETO, 1992, p. 4).

Ao defender que a dança é o pensamento do corpo, KATZ (1994) diz que é justamente essa característica que a diferencia de outros movimentos que o corpo faz como a ginástica, a mímica e os esportes. Em suas palavras: "Quando se entende a dança como um pensamento do corpo, este é o primeiro ganho: consegue-se diferenciá-la de todas as outras construções que um corpo faz com o movimento" (p. 2).

Pode-se dizer que a dança não se reduz à parte motora do movimento (sem desmerecer as atividades exclusivamente motoras). Mas, atrelado ao movimento, não se pode negligenciar o caráter artístico da dança (KATZ, 1994), onde há o desenvolvimento estético, com grande carga expressiva da movimentação corporal.

MACARA (1987) concorda ao dizer que enquanto a educação física constitui-se como "essencialmente ginástico-desportiva", a dança é "uma atividade essencialmente artística" (p. 73), em que são veiculados elementos como a criatividade e a expressividade (GASPARI, 2005).

Assim, a dança permite o conhecimento das possibilidades e capacidades tanto físicas como expressivas do corpo. Outras atividades corporais que não a dança, não compreendem o aspecto estético, expressivo, artístico que a dança possui, mas apenas os seus aspectos físicos e motores.

A Dança como conteúdo da Educação Física

Apesar de áreas distintas, cada qual possuindo seu próprio campo de conhecimento e objeto de estudo, a dança é considerada como um conteúdo a ser trabalhado pela educação física escolar.
Para PELLEGRINI (1988) a educação física engloba a dança, assim como o esporte e a recreação, desde que estes se prestem aos objetivos e propósitos da Educação Física escolar.

O COLETIVO DE AUTORES (1992) concorda quando diz que a dança é um conteúdo da Educação Física escolar, assim como o jogo, o esporte, a ginástica e a capoeira também o são. E defendem o ensino de dança na Educação Física escolar desde a educação infantil até o ensino médio.
Para GONÇALVES (1994) a educação física é composta por várias formas de atividades físicas, entre elas a dança, o jogo, a ginástica e o desporto.
A Educação Física se compõe de "diversas formas expressivas do movimento" como a dança, a ginástica, os jogos e o desporto, que se caracterizam como a cultura de movimento (SOARES, 1999, p. 126).

Neste caso, em se sabendo que a dança está presente de alguma forma na Educação Física, é necessário refletir sobre a função, o papel da dança na Educação Física. É necessário que haja uma reflexão sobre a quais propósitos, finalidades e objetivos deve a dança servir na Educação Física.



Não deixem de acompanhar o complemento desta matéria. Uma série dividida em três postagens.

Série: Dança e Educação Física - O conflito
  1. Dança e Educação Física - O conflito - Parte 1
  2. Dança e Educação Física - O conflito - Parte 2
  3. Dança e Educação Física - O conflito - Parte 3
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Sobre o Autor:

Roger Dance é dançarino, coreógrafo e blogueiro. Estudioso dessa arte pretende dividir seu conhecimento, pesquisas e informações com todos os amantes da Dança. Saiba mais sobre o Autor. Siga no Twitter: @mundo_danca

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Item Reviewed: Dança e Educação Física - O Conflito - Parte 2 Rating: 5 Reviewed By: Roger Dance