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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dança Ghawazee - Um pouco mais da sua história.


Eu só vi as ghawazee dançando com snujs e lenços. Não tive a oportunidade de vê-las com flores ou bengala, mas sei algumas coisinhas a respeito disso e vou falar mais adiante. Antes, é bom lembrar que quando falo em dançarinas ghawazee, me refiro às antigas, em sua origem, no início do século XVIII, quando de sua chegada ao Egito, provenientes da Índia.
Até o início dos anos 70, ainda existiam trupes ghawazee originais trabalhando nas ruas do Cairo à maneira tradicional cigana, digamos assim. Atualmente, essas "ghawazee modernas", embora possam pertencer à linhagem familiar original, trabalham a dança de uma forma diferenciada das ghawazee antigas (basta ver o figurino com batas paetizadas e o uso de movimentos de outras danças, como as que costumam se apresentar no Festival do Cairo).
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Bom, quando falei em dança ghawazee e falahi, estava, então, me referindo às origens, aquilo que hoje não temos mais acesso a não ser por documentação histórica (muita coisa escrita, pouca fotografada e quase nada em vídeo). Vou falar das duas separadamente pois tem pontos específicos em cada uma delas, Ok?

Como sabemos, as ghawazee são originárias do sul da Índia. Nesse país, há diversas danças populares que fazem uso de cestos e flores, portanto, a dança ghawazee das flores é um prolongamento de sua cultura original, certamente modificada com as novas influências, e também para a finalidade em questão. As danças na Índia são religiosas ou sazonais/cíclicas, enquanto que as ghawazee faziam uso da dança como forma de sustento de sua tribo (é bom lembrar que aquelas que não tinham talento para a dança, acabavam na prostituição, já que a gazyia era a responsável pelo trabalho remunerado familiar).

Com o passar do tempo, e com as viagens, acabaram por adicionar novos elementos, pois a função de sua dança era a de entretenimento e de uma maneira comercial, então deveria estar sempre preocupada com diversificação para atração de público. Nisso veio a dança do lenço ghawazee, que é uma adaptação da dança do lenço da Argélia, e a dança com bengala, que é uma absorção da cultura egípcia (ainda mais tendo em vista que após serem banidos do restante do país, o povo cigano se instalou na região de Said). E provavelmente, se estudarmos mais à fundo as tradições ciganas, vamos encontrar influências de outras culturas.


Originalmente sabemos que a tradição da dança ghawazee era com snujs, snujs estes que ainda são muito comuns na Índia e aparecem em diversas manifestações da cultura indiana (música, dança e teatro).

Quanto à dança falahi com as flores, não é preciso que uma dança seja uma tradição folclórica popularmente reconhecida pelos povos egípcios para que ela exista, não é? Vide aqui em nosso Brasil, onde temos várias danças esquecidas, escondidas, totalmente desconhecidas pela população brasileira, mas que configura a cultura de uma determinada região. Mesmo que essa tradição seja extremamente localizada e não tão popular, não deixa de fazer parte de nossa cultura brasileira em geral.

Quando me referi à dança das camponesas, estava falando de uma dança espontânea, não de uma dança representada, encenada e propagada comercialmente. Podemos lembrar das nossas lavadeiras que cantam para o tempo passar, e de tribos nômades, como os djinkas, onde as mulheres caminham por três horas pelo deserto africano em busca de água, e enquanto isso, cantam e fazem artesanato em palha.

A dança das flores provavelmente acontecia espontaneamente, sem movimentos prontos ou pré-determinados, como uma forma de passar o tempo e aliviar o enfado do trabalho. Alguém conhecedor desse costume, resolveu certamente transforma-la em dança-encenação, sendo uma representação do hábito de uma determinada região, ou de um determinado povo. Portanto, não necessariamente a dança das flores é vista como uma dança tradicional no Egito. Ao contrário do quece com o Said ou a dança falahi do jarro, que nasceram com certeza sem pretensões ao show business da dança do ventre, mas caíram nas graças das bailarinas e hoje se tornaram comuns.

Foufa El Faransawy, professora de danças folclóricas egípcias do Cairo, que participou da formação original da Reda Troupe, costuma ensinar as danças falahis de diversas maneiras que nós, do mundo da dança do ventre, jamais nem ouvimos falar, e agrega ao termo falahi não só aquilo que é dançado no ritmo falahi, mas várias danças rurais, digamos assim, danças praticamente esquecidas ou desconhecidas pelos próprios egípcios.

Publicado originalmente em  http://shaidehalim.blogspot.com
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Sobre o Autor:

Roger Dance é dançarino, coreógrafo e blogueiro. Estudioso dessa arte pretende dividir seu conhecimento, pesquisas e informações com todos os amantes da Dança. Saiba mais sobre o Autor. Siga no Twitter: @mundo_danca

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