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terça-feira, 14 de maio de 2013

Melbourne - Dança Eletrônica (Série)


Melbourne Shuffle é um estilo de Dança de rua originado em meados de 1980 na cena Rave e Underground de Melbourne, Austrália, e inspirada na cena Rave inglesa. Mundialmente conhecida e respeitada, é uma das danças eletrônicas mais ricas em cultura e diversidade de passos.

História 1985~2004 - Origem

A dança começou a dar seus primeiros passos na década de 80 - não se sabe a data específica, mas muitos afirmam que foi entre 1985~1989. Começou a ser praticada nas festas Rave e em clubes da cidade de Melbourne, na Austrália, e com a divulgação que teve - mesmo sendo uma dança extremamente Underground na época - não demorou muito para a dança começar a ser praticada em Kuala Lumpur, capital da Malásia, por meio de estudantes malaios que foram estudar em Melbourne, viram a dança nas Raves, aprenderam e levaram-na à Malásia. Por conta disso, tanto a dança como o estilo de músicas e cultura Rave começaram lá - não há uma data específica de quando começou.

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Nessa época, a dança ainda não tinha um nome definitivo, mas era chamada de Rocking ou Stomping, e aos dançarinos foram dadas as denominações Rocker ou Stomper. Já os turistas começaram a chamar de Shuffle (pode significar misturar, ser evasivo ou pôr em confusão em inglês. Não há um significado dado como correto pelo fato do verbo Shuffle ser um substantivo neste caso). Ninguém sabe a origem exata do nome Melbourne Shuffle. Muitos afirmam que esta denominação foi criada em 1998 pelo DJ e Shuffler Rupert Keiller, em um programa da TV australiana chamado Rage, na qual foi entrevistado e, como muitos turistas e moradores de outras cidades australianas que visitavam Melbourne chamavam a dança de Melbourne Shuffle, Rupert citou o nome neste programa. Algum tempo depois, a dança estava na capa de um dos principais jornais australianos, The Age 1 . Mesmo com a divulgação em escala nacional, a dança ainda permaneceu desconhecida à população. Existem contradições de que a origem do nome da dança existia desde a década de 202 . Em certas datas do ano, ruas de Melbourne eram bloqueadas e Raves no meio da cidade aconteciam. As chamadas Street Raves foram um dos principais fatores para moradores e turistas conhecerem e aprenderem a dança que ainda estava desconhecida.

O registro audio-visual mais antigo da dança é datado em 31 de Agosto de 1991, no Sarah Sands Hotel - Melbourne, AUS 4 .

2005~Hoje - Popularização e fama

A partir de 2005, a dança começou a tomar proporções fora da Austrália e Kuala Lumpur, com o documentário Melbourne Shuffler, feita pela produtora Underground Epidemic Productions (UEP), na qual cita a criação da dança, passos, como surgiu, etc. Para muitos, o pai do Melbourne Shuffle, e talvez o primeiro Shuffler a ser famoso mundialmente (mesmo ele não reconhecendo que dança Melbourne Shuffle, o seu estilo se enquadra perfeitamente à dança), Leeroy Thornhill, ex-dançarino do grupo The Prodigy e fã do estilo de dança dentro das Raves inglesas, teve presença neste documentário, comentando sobre a criação da dança, suas influencias, as músicas envolvidas na cultura e seu papel inspiracional para muitos dos primeiros Shufflers.

Já entre 2005~2006, começaram a ser postados os primeiros vídeos de Melbourne Shuffle no YouTube, tornando a dança famosa globalmente. Em 2006, o primeiro tutorial de como dançar foi postado no YouTube . De 2006 até 2008 foi o período de popularização mundial da dança, ocasionado por jovens australianos e malaios que descobriram a dança, aprenderam, formavam suas Crews (grupos), filmavam e postavam no YouTube. Alguns dos Shufflers desta época são conhecidos e amados por seus estilos.

No Brasil, a dança começou a ser difundida em território nacional por volta de 2007~2008, e ganhou impulso com a moda da dança Rebolation, na qual os dançarinos da mesma acrescentavam passos de Melbourne Shuffle aos seus respectivos estilos. Os primeiros Meet Ups brasileiros foram realizados em São Paulo em 20088 . A dança começou a ganhar seu espaço global a partir de 2005. Desde então, a fama aumentou drasticamente. A maioria dos Oldschools detesta a popularização da dança, por parte do YouTube ou da mídia, porquê as massas apenas veem a dança, mas não a cultura e filosofia incorporada na mesma.

2007

Até 2011, o vídeo Melbourne Shuffle Compilation 39 era o vídeo de Melbourne Shuffle mais conhecido do YouTube, com mais de 30 milhões de visualizações, mostrando alguns dos Shufflers mais famosos da época.

2008

O grupo holandês Melbourne Shufflers lança a música e o clipe altamente criticado The Shuffle;
A filial malaia da empresa de Fastfood KFC fez um comercial de um dos seus produtos usando Melbourne Shufflers.

2009

O grupo alemão de música eletrônica Scooter lança seu clipe J'adore Hardcore . Dois dos mais famosos Shufflers do mundo, Missaghi Pae Peyman & Sarah Miatt aparecerem dançando, na cidade de Melbourne.

2010

Scooter lança o clipe de Stuck on Replay, na qual dois Shufflers germânicos aparecem;
O grupo The Black Eyed Peas começou a usar o Melbourne Shuffle na coreografia de sua música The Time;
No mesmo ano, passou uma matéria na TV australiana falando sobre a dança, na qual mostrava um torneio chamado So you think you can Shuffle?, feito pela Australian Shuffle;
O grupo sul-coreano 2PM17 foi o primeiro a usar passos de Melbourne Shuffle dentre os grupos de K-pop, começando a popularização da dança no oriente.

2011

A dupla norte-americana LMFAO lança o clipe de Party Rock Anthem, onde vários Shufflers aparecem. Este clipe desbancou as visualizações de Melbourne Shuffle Compilation. A partir deste clipe, a dança tornou-se mais conhecida e amada;
Aproveitando a fama de Party Rock Anthem, a Kia Motors usou a música e a coreografia do clipe em um comercial;
No jogo League of Legends, quando o comando /dance é usado no personagem Viktor, ele executa a coreografia de Pae & Sarah. Já no Guild Wars 2, o mesmo comando, quando usado em personagens humanos, faz com que o personagem execute a coreografia de Party Rock Anthem. A opção de dançar Melbourne Shuffle também se encontra no Second Life;
Seguindo a iniciativa do 2PM, os grupos T-ara e Girl's Day usaram passos de Melbourne Shuffle nas coreografias de Lovey Dovey e Oh My God;
O grupo Cansei de Ser Sexy, no clipe de Hits Me Like A Rock, possui trechos de Shufflers espanhois dançando, além de mostrar partes de um tutorial.

2012

O grupo de Hands Up Crystal Lake lança Handzup Motherfuckers, onde três Shufflers aparecem;
Para promover um de seus produtos, a Samsung utilizou de uma Shuffler para mostrar algumas das funções do produto em questão.

Filosofia e Comportamento

Melbourne Shuffle é uma dança que possui muita riqueza de comportamento, e dentro de sua cultura existem duas filosofias:
P.L.U.R. (Peace, Love, Unity and Respect): Filosofia criada nos Estados Unidos na década de 90 e vinda de influencias Hippies. É uma filosofia interpretativa, e que cada um de seus seguidores têm uma forma única de aplicá-la em suas vidas e nas Raves;
Dance to express, not to impress: Filosofia autoexplicativa que é muito usada pelos atuais Shufflers. Na verdade, não se sabe se esta frase partiu de um Shuffler, mas sempre foi usada pelos mesmos e se encaixa perfeitamente ao contexto da dança.
Quem praticava a dança no começo, os chamados Oldschools, repudiava a competição, a falta de respeito e de originalidade, e qualquer tipo de conflito que pudesse ocorrer por conta da dança e de sua rica diversidade de praticantes. Este pensamento foi se perdendo no tempo e atualmente poucos são aqueles que adotam os ideais dos mesmos. Com a popularização da dança entre os jovens, a filosofia foi quase extinta, e assim, foram criados os Shufflers Teeny Boppers (termo usado para Shufflers que apenas querem atenção e são o oposto do que a dança prega), Posers ou Try Hards (termo usado para caracterizar Shufflers novatos que tentam fazer mais do que conseguem).
Um dos elementos que caracteriza a união da dança está nas Crews - grupo de amigos unidos por um mesmo ideal. Desde sua origem, as Crews semrpe fizeram parte da cultura e, a partir de sua popularização, seus números aumentaram, principalmente com a criação de Crews online - grupos de Shuffle que utilizam a internet.
Outra marca do Melbourne Shuffle é a individualidade. Cada Shuffler é livre para executar a dança da maneira que lhe é mais conveniente e geralmente, apesar da maioria dos Shufflers aprenderem novos passos observando outros Shufflers, cada um possui seu estilo único de dançar. É como se, ao invés de apenas copiar, a pessoa absorve o conhecimento, incorpora e aperfeiçoa, criando um ciclo que traz benefícios à dança e ao Shuffler, devido a frequente reciclagem e melhoria dos passos.
Cada dança possui uma essência envolvida. Por exemplo: Balé com a graça e Tango com a sensualidade. No caso do Melbourne Shuffle, a dança trata a liberdade como sua principal essência. Liberdade de poder fazer e sentir o que quiser, contanto que respeite o outro e queira bem do mesmo.

Passos

Passo T-Shuffle, ou também chamado de T-Step, passo principal do Melbourne Shuffle.
O passo que originou a dança, e por conta disso é o principal se chama T-Shuffle, um passo originado com base no Sapateado Irlandês.
A dança também possui o passo Running Man, ou apenas RM27 , criado na década de 80, com base no Jazz Moderno e popularizado por praticantes de Street Dance, muito famoso por ter sido usado em clipes de artistas como MC Hammer, Vanilla Ice e Technotronic - devido a esses artistas, a dança também é conhecida como The Hammer ou Vanilla Ice. Com o tempo, o Running Man ganhou mais importância dentro da dança, por caracterizar melhor o estilo de um Shuffler, dar base à evolução dos outros passos, além de dar mais estabilidade que somente o T-Shuffle e causar um impacto visual maior aos espectadores, mas não se transformou no passo principal. Vale lembrar também que se alguém utiliza somente o Running Man, ele não está dançando Melbourne Shuffle, e também que pode se dançar sem utilizar este passo.
O movimento de girar o pé no T-Shuffle é chamado de Twist e o de saltar ou dar um pulinho no RM é chamado de Hop. O Twist e o Hop dão origem a maioria das variações de passos no Melbourne Shuffle.
Os braços (Handmoves) compõem maior parte do estilo de um Shuffler. Mesmo muitos não os utilizando e considerando-os inúteis, ele é uma das peças fundamentais de um estilo.
Existe uma grande contradição acerca de qual dança deu origem ao Melbourne Shuffle. Muitos afirmam que foi o Sapateado, Jazz, House Dance ou até mesmo à danças de rituais aborígenes.
A dança também incorpora elementos do Charleston e variações de Street Dance, tais como Liquid, Waving, Hat Tricks (Movimentos usando Boné), Moonwalk, etc. Esta diversidade de danças nas origens do Melbourne Shuffle se deve ao público que frequentava as Raves da época, que era muito diversificado culturalmente.

Estilos

Quando a dança foi criada, não havia uma rotulação para cada pessoa que dançava diferente, pois cada um tinha sua forma única de dançar. Hoje em dia, quem dança semelhante aos primeiros Shufflers ganha a denominação do seu estilo como Oldschool, um estilo utilizando muito T-Shuffle, pouquíssimo Running Man e apresentando muita fluidez e leveza nos passos. Muitos consideram isso uma forma incorreta de denominação, porém é frequentemente usada na Internet.
Com o tempo e principalmente com a popularização da dança na Austrália e na Malásia (fora das Raves e indo pra Internet), os jovens foram alterando-a, e assim, nasceram dois estilos diferentes de Shuffle (variações, mas não deixando de ser Melbourne Shuffle): AUS & MAS, siglas sinalizando o local de origem de cada estilo. Lembrando que o Melbourne Shuffle não se prende a estes estilos e denominações. Cada um pode dançar sem seguir estas regras e padrões. As denominações acabaram criando comparações e críticas entre si, algumas vezes se autoafirmando "uma dança diferente dentro do Melbourne Shuffle":
AUS (Australian Shuffle/Australian Style)/Pure AUS/Newschool/2007 Generation/Hardstyle Shuffle: Estilo mais preso às raízes da dança e o mais famoso dentro do YouTube. Utiliza-se muitos Kicks (Chutes), Slides/Glides (Ilusões de locomoção pelo solo), Spins (Giros), Handmoves e dando prioridade à velocidade das batidas das músicas e à locomoção pelo solo. O uso de Phat Pants por seus praticantes é variado;
MAS (Malaysian Shuffle/Malaysian Style): Estilo mais lento e agressivo. Utiliza-se mais pulos, Running Man modificado (uso de impulso e força ao invés de movimento mecânico nos Hops, primeiro do Hop do RM em forma de curva e, em certos casos, o uso de apenas um Hop), uso de T-Shuffle quase inexistente, mais Stomps (Pisões), Handmoves mais bruscos e dando prioridade a Combos (combinações de passos e variações).
AUS e MAS são como padrões, pois em cada um desses países, a maioria dos jovens tinham as mesmas características em seus respectivos estilos. Com o passar do tempo, quando novos Shufflers e novas formas de dançar iam se criando, começava a surgir novos estilos (uma forma de diversificar e rotular os estilos):
Stomp/Rocking/Hardstyling/Clubbing: Estilo criado entre 2006~2007 na Austrália, caracterizado por possuir um Running Man curvo entre si, muito T-Shuffle, Kicks, Slides/Glides, Moonwalk, Hat Tricks, Handmoves muito simples e constante uso de roupas de Stakistas. A velocidade varia para cada Shuffler;
RUS (Russian Shuffle/Russian Style): Estilo criado por Shufflers russos entre 2008~2009. Caracteriza-se por ser um estilo muito rápido, priorizando os Combos e mesclando elementos de AUS e MAS. Muitos não consideram um estilo diferenciado, e muitas vezes, consideram algo totalmente fora dos padrões da dança, por possuir muitos pulos, acrobacias e elementos pouco usados pela dança;
Cali/Cali MAS/Californian Style/LMFAO Shufflin' : Estilo criado nos Estados Unidos e propagado mundialmente pelo LMFAO, muito criticado pelos demais Shufflers ao redor do mundo por ignorar a filosofia e os princípios da dança e denigrir a imagem da mesma. O uso de Running Man de um Hop (dado como incorreto) e acréscimo de muitos passos de Jerkin' e influencias de MAS são suas principais características;
Electro: Estilo voltado à Shufflers que dançam com o gênero de música eletrônica Electro. Muito semelhante a alguns Oldschools, utiliza-se muito T-Shuffle e variações do mesmo e Handmoves diversificados. Muitos utilizam o Tecktonik para ampliar sua originalidade;
Soft: Denominação à estilos que dançam com músicas calmas, priorizando a locomoção e suavidade;
Ownstyle: Denominação constantemente utilizada dentro do YouTube para aqueles que possuem um estilo que não se enquadra à nenhum rótulo ou que mescla diversos estilos.

Phat Pants

Dentro da cultura encontram-se muitos elementos únicos. Um deles são as Phat pants ou Phatties.
Na decada de 80 e 90, calças pantalonas e macacões com suspensórios eram moda. Por conta disso, as Phat Pants possuem bocas largas e suspensórios caídos. Sabe-se que devido ao clima de Melbourne (~15ºC no inverno e ~40ºC no verão), o design de calças estilo pantalona que as Phat Pants possuem era, ao mesmo tempo, agradável, chamativo e confortável ao Shuffler, mesmo com as piores condições de temperatura.
A gíria Phat - muitas vezes confundida com Fat (gordo) - possui diversos significados e contextos, comumente utilizado para elogiar algo ou alguém.
Elas, teoricamente, não ajudam um Shuffler a melhorar o seu estilo, mas dão uma noção maior de locomoção no solo (dependendo do tamanho da boca da calça e do estilo da pessoa), escondem certos erros em alguns passos e, se possuírem fitas refletivas, brilham quando há luz.
Os materiais refletivos (PVC refletivo) são usados para refletirem as luzes e lasers das Raves, dando assim, maior ilusão e psicodelia à dança e às calças. Quando uma Phat não possui refletivos ela é chamada de Plain Phat. Os primeiros Shufflers costuravam refletivos em suas calças.
As primeiras lojas a venderem Phat Pants começaram a aparecer nos anos 2000.
Na cultura Raver, somente os Melbourne Shufflers e Brisbane Stompers detém o poder de usá-las. Vale ressaltar que não precisa obrigatóriamente usá-las para dançar Melbourne Shuffle.

Música

Como cultura Rave, Melbourne Shuffle é diretamente ligada à Música Eletrônica. Os primeiros Shufflers dançavam com músicas mais cruas e rápidas, tais como Acid House, Techno e Hard Trance.
Ao contrário do que muitos pensam, qualquer estilo de música que tenha um compasso marcado pode ser dançado. Entretanto, como muitos Shufflers atuais veem no YouTube vídeos onde somente Hardstyle e Hard Trance são a trilha sonora, eles creem que possa se dançar apenas com esses estilos, porém isso é um equívoco.
As velocidades adequadas (em Batidas por minuto) para poder dançar variam entre 60 BPM até 180 BPM.
Algumas boates se destacam dentro da cena, tais como a Pure Hard Dance (PHD), na Austrália, famosa por ser ponto de encontro de Shufflers e amantes dos estilos Hardstyle e Hard Trance em Melbourne. Elas ganharam fama mundial por conta de seus produtos, principalmente casacos, que são usados nos vídeos dos Shufflers.


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Sobre o Autor:

Roger Dance é dançarino, coreógrafo e blogueiro. Estudioso dessa arte pretende dividir seu conhecimento, pesquisas e informações com todos os amantes da Dança. Saiba mais sobre o Autor. Siga no Twitter: @mundo_danca

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Item Reviewed: Melbourne - Dança Eletrônica (Série) Rating: 5 Reviewed By: Roger Dance